A área de tecnologia está em expansão de emprego no Brasil mas apenas uma formação de nível superior diretamente ligada ao setor aparece no ranking dos 15 cursos de faculdade que mais atraem estudantes para o ensino superior.

Ao avaliar o ingresso de estudantes (os dados mais recentes são de 2017), a partir da base de dados do Censo da Educação Superior, realizado pelo Inep, pesquisa da plataforma Quero Bolsa revela que a carreira de TI com mais contratações ano passado, a de análise e desenvolvimento de sistemas, está na 13ª posição em ingressantes no sistema de ensino.

O desapego do setor de tecnologia pela educação formal é frequente em processos seletivos para posições na área. A seleção de profissionais para o novo Centro de Pesquisa em Tecnologia da Uber é um entre diversos exemplos de vagas que não fixam exigência de ensino superior completo no currículo.

“Entre a instituição de ensino ter a iniciativa para montar um curso novo e conseguir autorização do MEC para começar a captar são necessários dois anos. O que deve acontecer? Nos próximos anos, cursos como esse como análise de desenvolvimento de sistemas vão entrar no radar das instituições de ensino e dos estudantes”, diz Rui Gonçalves, gerente relações institucionais da plataforma. Até lá, formações correlatas ou o já citado descaso pela formação superior vão alternadamente preenchendo lacunas.

Mas, em um país de dimensões continentais com o Brasil e uma população de mais de 200 milhões de pessoas é a área da saúde a que mais vê a demanda por profissionais crescer. De acordo com informações do Caged, a profissão que mais encontra novos empregos no Brasil é a de enfermeiro, com saldo positivo de 9.190 novas vagas em 2018. Análise e Desenvolvimento de Sistemas aparece em segundo lugar com 6.642 novas vagas. Farmácia e fisioterapia criaram 3.952 vagas e 2.716, respectivamente. Fechando as cinco carreiras que mais contratam no Brasil aparece a de programação e sistemas de informação com 2.252.

O país não tem economia complexa o suficiente para demandar pessoas em grande quantidade em diversas carreiras. A gente olha para esses dados e percebe o quanto a economia brasileira tem pouca diversidade de trabalho e acaba concentrando em algumas carreiras”, diz Gonçalves.

O tamanho do mercado de trabalho e a longevidade dos cursos ajudam a entender porque pedagogia, administração, ciências contábeis, direito, enfermagem e engenharia civil atraem milhares de estudantes para o ensino superior independentemente de crises e novas tendências. O perfil generalista do curso de administração aliado ao baixo custo do curso o coloca entre um dos campeões de alunos. “Quem se formou vai encontrar um posto de trabalho mesmo num momento como esse. É uma carreira que gera muitas contratações”, diz o gerente do Quero Bolsa.

A consistência fala mais alto na relação entre nível de emprego e interesse na formação superior acadêmica diretamente correspondente. O caso dos cursos de TI é um  exemplo. A carreira já está em ebulição, o que faz com que a computação tenda a aparecer entre os cursos mais buscados nos próximos anos, segundo a análise da equipe do Quero Plataforma.

Fundada em 2012, a plataforma Quero Bolsa conecta estudantes e instituições de ensino e vem coletando dados de tendência de interesse dos estudantes durante todo esse período. Em 7 anos, o site contabiliza 450 mil alunos matriculados com bolsas de estudo que chegam a 70%  do valor da matrícula. Os cursos de tecnologia vêm apresentando um crescimento na atratividade, mas direito, enfermagem e administração ainda são os cursos superiores mais procurados dentro da plataforma.

Fonte: EXAME

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