Tecnologias revolucionárias como serviços em cloud, moedas digitais e internet das coisas tornaram empresas e governos mais abertos e conectados — mas também infinitamente mais vulneráveis a ameaças.

Nesse novo mundo, em que vazamentos de informações e invasões “hackers”  viraram manchetes recorrentes no noticiário, um tipo de profissional de TI está atraindo cada vez mais empregadores: o especialista em segurança da informação.

Se não contasse com uma força de trabalho capaz de proteger a confidencialidade e o sigilo dos dados, a sociedade atual provavelmente entraria em colapso, afirma John McGlinchey, vice-presidente global da CompTIA (Computing Technology Industry Association).

“Não existe nenhum mercado que não precise de uma infraestrutura de TI, e essa infraestrutura precisa ser segura”, diz o executivo ao site EXAME. “Por isso, quem trabalha com segurança da informação sempre terá um emprego, e em qualquer parte do mundo”.

Segundo McGlinchey, hoje não há mais divisão entre as tarefas dentro do departamento de TI nas empresas: todo mundo trabalha, de alguma forma, com cibersegurança.

Afinal, a complexidade da infraestrutura, independentemente do porte da companhia, exige profissionais com um mínimo “arsenal” de competências ligadas à prevenção de ataques.

“O que vai diferenciar o profissional é ter uma ou mais certificações”, diz o VP da CompTIA. Isso aparece inclusive no salário: quem é certificado na área ganha entre 10% e 40% a mais do que quem não é.

O inimigo vem de fora

Nem sempre o profissional dessa área foi tão valorizado. Na década passada, as preocupações das empresas com segurança da informação eram muito mais singelas, já que as ameaças normalmente vinham de dentro do próprio ambiente.

“O foco era evitar que os próprios funcionários entrassem em algum site mal-intencionado ou sem querer levassem vírus de um computador para o outro com um pendrive”, explica Diego Mariz, gerente da divisão de TI da consultoria Michael Page.

Com a evolução da tecnologia, a informação passou, de um lado, a concentrar muito valor estratégico e, de outro, a ser mais acessível a pessoas externas.

O maior problema deixou de ser o pendrive contaminado, e passou a ser a possibilidade de um invasor de qualquer parte do mundo roubar senhas, divulgar dados sigilosos e prejudicar gravemente operações e processos internos.

No Brasil, onde ainda prevalece uma certa “inocência” sobre proteção de dados, grande parte das empresas e governos ainda é relativamente vulnerável a ataques — o que reforça o fato de que o potencial de expansão desse mercado está longe de ser esgotado.

Quem é o profissional mais buscado?

Em suas passagens pelo Brasil, McGlinchey sempre escuta o mesmo comentário de multinacionais, startups, consultorias e universidades: o país sofre de uma grave escassez de talentos em TI.

“Estima-se que o mercado brasileiro tem hoje meio milhão de vagas ociosas por falta de candidatos qualificados”, diz. “Vale lembrar que ser qualificado não significa ter um diploma universitário, mas sim ser capaz de começar em um emprego e fazer o trabalho logo no primeiro dia”.

Do ponto de vista técnico, diz o VP da CompTIA, é preciso ter uma base sólida sobre infraestrutura, mas também saber usar as ferramentas mais novas de combate a ameaças, como a APT (Advanced Persistent Threat).

Segundo Mariz, o domínio desse tipo de competências é provado por meio de certificações como a CISSP (Certified Information Security Systems Professional) e a CISM (Certified Information Security Manager).

Também é esperado que o profissional da área domine melhores práticas na área, como as trazidas em guias do SANS (System Administration, Networking and Security) Institute.

McGlinchey ainda destaca que o profissional preferido pelos empregadores tem visão de negócios, sabe como administrar projetos e tem conhecimentos básicos de finanças e contabilidade.

Mas é pela falta de certas competências comportamentais que as empresas costumam ter dificuldade de preencher vagas. “Os melhores empregos vão para quem tem habilidades de relacionamento, comunicação, liderança e trabalho em equipe”, observa Mariz.

 

Fonte: Exame

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