Profissional de tecnologia da informação, se sua praia é trabalhar na parte de desenvolvimento e infraestrutura, invista em habilidades para mobile e também no domínio da linguagem Java.

Caso seu objetivo seja carreira na área de segurança, vá para (muito) além de dispositivos de firewall. Em todos os casos, estude inglês até garantir a fluência no idioma e melhore suas competências de comunicação e relacionamento.

Os parágrafos acima resumem as principais dicas que EXAME.com extraiu da conversa com dois especialistas para investigar as áreas mais quentes e promissoras no mercado de TI: Antonio Loureiro, que é sócio-diretor da Conquest One e Leonard Wadewitz, o diretor para América Latina e Caribe da CompTIA, associação que promove os interesses globais de profissionais e empresas do setor de tecnologia da informação.

Por que mobile e Java

“Estamos vivendo uma escassez de profissionais preparados para trabalhar com novas tecnologias”, diz Loureiro. Em TI, a crise fez com que muitos qualificados e com domínio de outros idiomas, sobretudo o inglês, começassem a olhar para o mercado global em busca de oportunidades.

“A área de TI dá a possibilidade de trabalhar em qualquer país”, diz. Empresas da Alemanha, Inglaterra, Canadá, Austrália e até do Japão vêm importando profissionais brasileiros, segundo Loureiro.

Quem conseguiu vaga foi embora, o que só fez aumentar a falta oferta de mão de obra fluente em inglês. Na Conquest One, uma em cada três vagas traz a exigência de domínio inglês.

Some-se a isso os fatos de que antes da crise já havia pouca gente apta a trabalhar com tecnologias mobile no Brasil e de que com a retração poucos investiram em novos treinamentos e está explicada a carência atual no setor de desenvolvimento de TI, segundo o sócio-diretor da Conquest One. Vale lembrar também que Java é uma linguagem que envolve muitas certificações, e por isso são profissionais mais raros.

Por que segurança em TI

Wadewitz, da CompTIA, afirma que analistas de segurança preparados para lidar com ameaças mais sofisticadas e persistentes, chamadas em inglês de “Advanced Persistent Threat – APT” (ameaça persistente avançada na tradução livre) são os mais procurados no mundo e, também, no Brasil.

O perfil profissional mais demandado, segundo ele, muda à medida que os ataques virtuais evoluem. “Segurança em TI é mais do que firewalls e hoje requer habilidades para descobrir potenciais ameaças APT e outros ataques antes que eles causem estragos. Em outras palavras, requer que as pessoas sejam proativas e, não, reativas”, diz.

Além de analistas de segurança, esses profissionais também são procurados para assumir cargos de analista de centro de operação de segurança, analista de vulnerabilidade, especialista em segurança cibernética, analista de inteligência contra ameaças e engenheiro de segurança e engenheiro de segurança de sistemas de informação. Tem empresa? Tecnologias cognitivas ajudam as empresas a proteger seus ativos críticos. Patrocinado

Um ponto chave para decolar na carreira na área de TI, segundo ele, são as certificações, segundo o diretor da CompTIA. ” Não há como medir a habilidade se não há certificação. Ter formação superior e experiência profissional não substitui a necessidade pelas certificações”, diz ele.

Melhorar habilidades comportamentais é unanimidade

Há 30 anos no mercado de tecnologia, Loureiro confessa a reclamação a respeito da falta de habilidade de comunicação persiste em relação aos profissionais dessa área. “Se eu pudesse dar uma recomendação é a de que profissionais buscassem cursos ligados a habilidades comportamentais como, por exemplo, para ampliar a capacidade de oratória, e para melhorar entendimento de contexto e repasse em linguagem mais acessível”, diz Loureiro.

Além da comunicação, Wadewitz diz que CIOs (sigla de chief information officer que significa diretor/gerente da área de TI) geralmente dão respostas similares em relação à necessidade de desenvolvimento de determinadas competências, chamadas “soft skills”.

Gerenciamento de projetos é a primeira que ele cita. “O profissional não precisa gastar 3 anos e atingir a certificação PMP, mas ele precisa ter as competências básicas envolvidas na gestão de projetos. Uma das maiores despesas ocultas em qualquer empresa é o custo de projetos que não dão certo”, diz.

Trabalho em equipe e habilidades ligadas ao atendimento de cliente também estão na lista das mais pedidas, segundo o diretor da CompTIA. É sob esse guarda-chuva que ele coloca as competências de comunicação, de saber ouvir e fazer as perguntas certas “para ter certeza de que entendeu o cliente e entendeu o problema.”

Entendimento do ambiente de negócios é outro aspecto importante, na visão de Wadewitz, que recomenda aos profissionais que saibam o básico de contabilidade e finanças para que sejam capazes de criar propostas que mostrem valor à liderança da empresa e também aos clientes. “Saiba como medir o retorno sobre investimento, ROI”, diz. Saber a importância da produtividade também.

E, como não é novidade, que ser promovido pode ser perigoso para a carreira de alguém que só tenha virtudes técnicas, Wadewitz fala que CIOs e gerentes devem no desenvolvimento de habilidades de liderança.

Os dez cargos com mais vagas

Levantamento da Conquest One, obtido com exclusividade por EXAME.com, mostra que o cargo que mais teve oportunidades em 2016 é o de analista de sistemas. De acordo com a consultoria, essa tendência se mantém para 2017. Veja tabela:

Ranking Função % de vagas fechadas em 2016
1 Analista de Sistemas 13
2 Analista Desenvolvedor Dot.Net 10
3 Analista Negócios / Processos / Projetos 9
4 Gerente de Projetos / PMO 9
5 Analista BI 8
6 Analista de Suporte 8
7 Analista de Redes e Telecom 6
8 Desenvolvedor Web / Web Designer 6
9 Analista Programador Java 4
10 Analista Programador Oracle PL/SQL 4

A área de desenvolvimento é a que mais teve oportunidades, concentrando mais da metade das vagas:

Categoria Número % de vagas fechadas em 2016 Profissional mais procurado
Desenvolvimento 84 53 Analista de Sistemas
Infraestrutura 26 16 Analista de Redes e Telecom
Negócios /Processos /Funcional 21 13 Analista de Negócios
Gestão 15 9 Gerente de Projetos
Suporte Operacional 12 8 Analista de Suporte

O setor de serviços é o que mais contrata, conforme a tabela abaixo, mas Loureiro também destaca o aumento nas oportunidades para quem é de TI na área de saúde e de varejo.

“ O varejo passa por uma grande transformação e as empresas, mesmo com a crise, estão sendo obrigadas a investir em TI para buscar uma interação diferente com o cliente, mapeando hábitos, por exemplo”.

Setor % de vagas em 2016
Serviços 28
Saúde 19
Serviços financeiros 15
Indústria 12
Tecnologia 7
Farmacêutica 7
Varejo 6
Infraestrutura 6

 

Fonte: EXAME.com

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